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PEITO ABERTO=)ï(=
Acreditamos ser
metade da laranja
procurando ser completa.
Jogamos nessa busca desvairada a responsabilidade
de ser feliz.
Quando encontramos essa possibilidade, acreditamos,
investimos e torcemos que seja para sempre.
Ficamos inteiras, fortes e vencedoras.
Abrimos o coração e amamos.
Não freamos a intensidade. Corremos riscos sem medo.
Não medo da solidão. Há desejo de compartilhar.
De doar e de cuidar.
Nos sentimos maçã.
Pecadora e devassa.
Libertamos os loucos desejos.
Saciamos como as gueixas.
Até que surge o efêmero.
Começam os desatinos.
Muitos relacionamentos não perduram.
Vem a culpa.
O buscar explicação que muitas vezes
sequer imaginamos.
Por vezes, estão fora de nós.
Ficamos novamente fragmentadas.
Divididas e muito mais sofridas.
Eles partem muitas vezes sem um adeus.
Esvaem-se por covardia ou omissão.
Causam decepção.
Brincam com a emoção.
Como fêmea, damos carinho, sexo,
ternura, cuidados e cumplicidade.
Às vezes o retorno não vem.
Fica a inércia da perplexidade.
A leviandade do desrespeito.
Entretanto, só a nós cabe a responsabilidade
dos nossos sentimentos.
Não podemos considerar perda nossa.
Apreendemos que terrível seria
ficar por ficar ou por medo de ousar.
O coração não é investimento.
Não se comanda o momento da oferta ou da procura.
Órgão frágil e sensível tem que estar disponível.
Recomeçar pra encontrar.
O que de bom ainda há.
Beth Nunes
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