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=)ï(= Jovens tardes de domingo=)ï(=
Quando naquele vinte e dois de agosto de mil
novecentos e sessenta e cinco
nos acotovelamos na casa da menina mais popular da
rua,
para assistir a estréia de Jovem Guarda.
Estávamos arrumados como se fôssemos a uma ocasião
muito especial.
Usávamos nossas roupas mais chamativas e tentávamos
nos parecer
o mais possível com o estereótipo Beatles, tanto nas
roupas como nos cabelos.
O dia anterior fôra de
muita expectativa.
Seria a primeira vez onde teríamos um programa diferente, ao contrário
de Astros do Disco,
onde desfilavam todos os cantores de sucesso independente de sua
preferência,
todos vestidos com os indefectíveis smokings ou elas com seus vestidos
de noite,
teríamos desta vez algo dedicado a nós, jovem, rebelde, informal .
Chegara a nossa vez.
Começou!
(Sem machismo, mas
mulheres são mesmo difíceis de segurar,
os gritinhos dentro da sala no início do programa davam a impressão de
poderem
chegar ao Roberto, tão altos foram emitidos, e apesar do dia não ser
muito quente a temperatura,
dentro daquela sala parecia estar a quarenta graus à sombra.)
Participantes escolhidos
a dedo e buscando todo o apoio da mídia,
o programa fora pensado para ser o maior programa de juventude de todos
os tempos,
e foi.
Desde Tony Campelo, que
na verdade era da turma do Hi Fy,
juntamente com Cely, Sérgio Murilo, Carlos Gonzaga, mas seriam armas
utilizadas
para aglomerar o maior número possível de jovens ao redor do movimento.
Como Ronnie Cord, possivelmente o cantor do primeiro rock totalmente
brasileiro, Rua Augusta.
Quando Roberto Carlos se
curvou, como se fosse agradecer ao público,
mas, ao invés disto esticou o braço e anunciou:
- O meu amigo Erasmo Carlos!!!!
Estava chamando ao palco, em minha opinião,
o maior
representante eterno desta juventude,
pois de certa forma jamais se afastou da
imagem do Tremendão, embora fazendo algumas excursões
por outro tipo de música, sempre fazendo questão de manter
vivo o espírito do rock com o qual iniciou sua formação musical.
Quando vejo o Tremendão
se apresentando ainda sinto uma pontinha
de nostalgia e, aposto, ele também.
Não parece ter vontade de crescer, de se tornar totalmente adulto e
assumir o fim daqueles encontros que marcaram o coração de quem
participou,
de quem se dirigia às imediações do Teatro Record, sabendo que não ia
entrar,
mas podia contar no outro dia que viu o Eduardo Araujo chegando,
que dirigia um Camaro branco com listas vermelhas no capô,
ou que vira os olhos verdes da Waldirene,
ainda que a distância.
Hoje fica quase
impossível imaginar os jovens perdendo
sua tarde de domingo dentro de casa
para assistir um programa de televisão...
Tente...
Mas acontecia realmente.
Ficávamos assistindo ao desfile de todos os grandes nomes da nossa
juventude,
Roberto, Erasmo, Wanderléa, Cely, Cleide, Demétrius, Prini, Sergio, o Zé,
Ronnie,
The Jet Blacks, The Clevers, (depois Incriveis) Gonzaga, Rosemary, Dori,
Renato e seus Blue Caps, Jerry, Wanderlei, Waldirene, (que olhos
verdes!!!)
George, Ted, Versáteis, Jordans, Martinha, “o queijinho de Minas”,
Eduardo, Silvinha, Leno, Lilian, Márcio, Ronald, Deny, Dino, Meire,
Antonio Marcos, (que era um dos poucos que chamávamos pelo nome
completo,
o resto era Roberto, Erasmo, Sérgio. Como se tivéssemos com eles a maior
intimidade
e fizéssemos parte de seu café da manhã)
Vanusa, Ed, Golden Boys, Trio Esperança, Nalva, os Paulos, Sergio e
Diniz
e outros cujo nome minha memória não registra, como os Bells de
Cabeleira,
dos quais não recordo.
Deve ser a idade.
Mas, exceto motorista e
trocador, tudo nesta vida é passageiro.
E como veio acabou.
Numa destas tardes, que não me lembro, aconteceu o último programa da
série
e muita gente ficou perdida, precisava arrumar outra coisa para suas
tardes de domingo.
Não sei se haverá algum
outro movimento que congregue tantos jovens.
Possivelmente não.
As tendências hoje são várias.
A inocência de uma juventude rebelde, que nem sabia direito
contra o que lutava, não existe mais.
Muita conquista advinda
desta época, cujo estopim foi aceso pelos The Beatles,
provou ter riscado um fósforo em um estopim sem fim,
continuou provocando explosões
cada vez mais rápidas, acontecendo a cada momento em todos os cantos do
mundo,
que nem todos têm a capacidade de acompanhar.
Acho que, mais que
agentes destas explosões,
fomos a massa utilizada para mudar o mundo de forma definitiva.
Nem tínhamos a idéia exata do que estávamos deflagrando,
mas o fizemos!
O que restou disto tudo
foram as músicas, um sentimento maior de liberdade
e uma certeza:
“Fomos muito felizes enquanto tudo acontecia.”
Jos Hermet
( Levemente Bêbado)
 

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