Há muitos, muitos anos, as terras da Maia
ainda eram densas de florestas e de campos verdejantes.
Os seus habitantes tiravam o seu sustento
e a sua riqueza dos campos que cultivavam.

Num belo dia do mês de Maio nasceu uma menina,
 de olhos muito azuis e cabelos cor de fogo.
Seus pais, humildes e modestos camponeses, felizes com o evento,
não se cansavam de contemplar aquele ser tão ágil
e tão pequenino que lhes sorria....
um sorriso grande que iluminava tudo!

Desde o seu nascimento que aquela casa estava diferente,
com um perfume estranho
e uma música celestial que não se sabia de onde vinha...

Cedo se aperceberam que qualquer coisa de anormal
se passava com a pequenina:
quando esta sorria, tudo em seu redor também sorria,
 uma música de encantar fazia-se ouvir,
o perfume da primavera e uma sensação de paz
e felicidade rodeava tudo e todos.
Cada vez mais assustados com este fenomeno,
 os pais foram pedir conselho ao prior da aldeia.
Este nada de anormal achou naquela criança, antes pelo contrário,
foi Deus que quis que esta menina trouxesse consigo
a música e o perfume das flores do mês de Maio.

Quando a batizaram, lhe deram o nome de Maia,
não só em homenagem ao mês de Maio,
mês em que nascera, mas também ao mês das cores
e dos perfumes do campo.

Durante doze longos anos Maia foi crescendo,
desenvolvendo-se em sabedoria e beleza,
tomando-se numa linda mulher.

Seus pais cultivaram durante todos esses anos o medo da reação dos vizinhos
se descobrissem o dom da filha e fecharam-na em casa como que numa redoma,
sem poder brincar com as crianças da sua idade,
 sem crescer com elas, sem amigos,
sem contatos com outras pessoas que não fossem os seus pais.

Maia não compreendia tal atitude, pois apesar do que lhe dizia seus pais,
não se achava diferente das outras crianças.

Um dia o padre voltou à casa, para ver o que se passava.
E este foi descobrir Maia, linda como as flores,
rodeada de plantas e animais
que foram os seus amigos e companheiros
 de brincadeiras durante todos estes anos.

Sorrindo, levantou-se e beijou a mão do santo homem...
e aqueles olhos azuis e o som da sua voz quente
e cristalina transformaram um céu triste
num belo dia de primavera, luminoso,
onde o perfume dos campos floridos
rodeavam tudo à sua volta e uma cálida sensação de paz e felicidade invadiu
o corpo do padre já vergado pelo peso dos anos.

Encantado com tal prodígio, mas zangado com a atitude dos pais,
 o padre levou-a para a igreja
e lá, no final da Missa, apresentou-a a toda a aldeia que a acolheu.
Sorrindo, Maia agradeceu o cuidado demonstrado por todos.

Nesta altura um perfume das flores de Maio irrompeu pela igreja!
Uma música suave, terna e repousante extasiou
os corações de todos os presentes!

E foi assim que a fama do seu sorriso e a candura sua voz
se espalharam rapidamente pelas aldeias vizinhas!

Com o decorrer do tempo as romarias às Terras da Maia
começaram a ser cada vez em maior número,
só para verem com os seus próprios olhos
aquela menina dos cabelos de fogo e de belos olhos azuis que,
quando sorria ou falava ,tudo se modificava em seu redor...

Diz a lenda que ainda hoje - diz-se entre os mais velhos -
que nas Terras da Maia, muitos anos depois da menina já ter morrido,
e durante o mês de Maio, se mantém o velho costume de pelos campos
sairem a procura das flores do mês de Maio.

Schlumbergera truncata...mas pode me chamar, Flor de Maio...

Beth Nunes



 


   

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